Acusações recíprocas

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Itapemirim: imbróglio societário atrapalha recuperação judicial

Inquérito policial envolve família Cola, fundadora do conglomerado, e o novo proprietário do grupo, o empresário Sidnei Piva de Jesus

Foto: Divulgação

Creso Suerdieck

O imbróglio societário envolvendo a Viação Itapemirim, gigante do transporte rodoviário interestadual de passageiros em recuperação judicial desde 2016, tem sido atravessado por acusações entre a família Cola, fundadora do conglomerado, e o novo proprietário do grupo, o empresário Sidnei Piva de Jesus. Além de tentarem anular a formalização da venda, desde outubro do ano passado, Camilo Cola e Camilo Cola Filho vêm entrando com uma série de representações por falsidade ideológica contra o comprador. Eles sugerem a existência de pelo menos quatro CPFs distintos ligados a Piva – um deles sob o nome Sidiney Duarte Piva.

Os documentos reunidos apontam que os titulares dos cadastros teriam sociedade com uma mesma pessoa, seriam defendidos pelos mesmos advogados em processos diferentes e teriam aberto empresas cadastradas em um mesmo endereço. A defesa chegou a pleitear que Polícia Federal, Receita Federal e Consulado dos Estados Unidos apresentassem informações sobre os titulares dos CPFs.

“Desde o início esta compra está tumultuada. Todas as acusações da família Cola são muito graves. Precisam ser investigadas e apuradas a fundo”, acredita Creso Suerdieck, especialista em recuperações judiciais.

Em outubro, Piva prestou depoimento na 2ª Delegacia de Polícia de Barueri (Grande São Paulo) e negou as acusações. O novo presidente do Grupo Itapemirim atribuiu a existência de dois outros números de CPF ligados a seu nome a um “erro material” dos Correios, responsável pela emissão dos documentos. Ainda no relato, o empresário afirmou que a Receita Federal abriu procedimento administrativo e anulou os cadastros.

A defesa reagiu às acusações e entrou com dois pedidos judiciais: um para arquivar o inquérito que o investiga por falsidade ideológica e outro por denunciação caluniosa contra os Cola. O advogado de Piva, José Carlos Ricardo, classificou as imputações como “ilações e suposições paridas”, as representações como “totalmente improcedente” e atribuiu o movimento como uma tentativa de “vingança” e “perseguição”. O inquérito policial corre em segredo de justiça.

 

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