Decisão final de compra

Decisão final de compra

Decisão final de compra

Marca é o que marca na empresa em que se trabalha

Como os colaboradores de uma empresa se entendem (ou não) como representantes de uma marca

Foto: Divulgação

Creso Suerdieck

Quando você compra um produto ou serviço, o que você leva em consideração para a sua escolha? O preço, o atendimento, a qualidade, o status (marca) e a opinião de amigos e familiares, entre muitos outros pontos, costumam estar entre os fatores que mais pesam na decisão final da maioria dos consumidores.

E quando a escolha se refere a uma empresa para trabalhar? Quais são os pontos que afetam a tomada de decisão da maioria dos candidatos a uma vaga de emprego? O preço citado anteriormente se transforma em salário, o atendimento vira processo seletivo e a opinião de amigos (neste caso, colaboradores e ex-funcionários) conta da mesma maneira. Segundo Caio Infante, vice-presidente regional (LATAM) da Radancy e um dos co-fundadores da Employer Branding Brasil, cada colaborador de uma empresa é um representante daquela marca. “Um vendedor em uma loja física, uma pessoa que trabalha no Atendimento ao Cliente de uma empresa, uma recrutadora que está à frente de um processo seletivo e até um comprador negociando com um fornecedor têm impacto direto na marca da empresa onde trabalham. Ou melhor, nas marcas”, afirma.

A marca empregadora e a marca corporativa se misturam cada vez mais, e as empresas que ainda não entenderam isso estão perdendo negócios, clientes e talentos sem se dar conta.

“Fica mais fácil entender se trouxermos para a discussão um exemplo do nosso dia a dia. Quando vamos a um restaurante, por exemplo, e o prato vem errado. O garçom se desculpa, traz o prato certo e depois oferece uma sobremesa como cortesia. Pare e pense: qual é a chance de você voltar ao local e recomendá-lo para os seus amigos?”, questiona Caio.

Trazendo a mesma situação para um processo seletivo, Caio traz uma situação ainda mais clara. “Imagine você esperando para ser entrevistado para uma vaga de emprego em determinada empresa e a pessoa que fará a entrevista atrasa 40 minutos. Quando ela chega, diz para você que só tem 20 minutos de agenda para o papo por causa do próprio atraso. Ela faz três ou quatro perguntas e encerra a entrevista sem explicar os próximos passos. Qual é a sua motivação para aceitar uma eventual proposta de trabalho para trabalhar justamente com aquela líder?”, questiona.

Em todas as situações acima, a marca foi afetada – ou melhor, as marcas: tanto a de consumo como a marca empregadora estão intimamente ligadas. O restaurante, por exemplo, pode ser uma grande rede em busca de um CFO e quem sabe a pessoa atendida não tem este perfil. O simples fato do cuidado com o cliente a faz procurar por mais informações sobre a empresa até descobrir aquela vaga. E a empresa cujo gestor atrasou era uma de suas marcas preferidas até que você pensa e se lembra que tem tantas outras marcas por aí e resolve dar uma chance para a concorrência – para sempre, já que aquela não traz boas lembranças.

Segundo Caio, não importa quem é o colaborador e nem qual é a sua função na empresa – todos os funcionários carregam um “sobrenome corporativo” (aquele com o qual todo mundo se apresenta em reuniões, entrevistas e redes sociais como sendo o X da empresa Y). “Saber cuidar bem de cada stakeholder é fundamental para o sucesso de um negócio. Saber cuidar das pessoas dentro de casa e encantá-las para que reflitam seus valores reais é fundamental para quem quer criar relações com o mercado a longo prazo. E, neste caso, quando falo sobre o mercado, eu me refiro a pessoas, sejam elas candidatos, fornecedores, parceiros, investidores e todos que, um dia, podem ter contato com aquela marca”, finaliza Caio.

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