Pirâmide financeira: R$ 300 milhões de dívidas

Pirâmide financeira: Plataforma de criptomoedas pede recuperação judicial com dívida de R$ 300 milhões

‘Não há órgão fiscalizador para acompanhar o lastro financeiro dos negócios neste setor’, diz especialista.

(Foto: Bloomberg)

A plataforma de negociação de criptomoedas BWA Brasil teve seu pedido de recuperação judicial homologado na última quarta-feira (8) pelo juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A BWA Brasil apresentou o pedido por causa dos cerca de R$ 300 milhões de dívidas. Além disso, mais de 50% dos negócios da empresa eram realizados via Bitcoin Banco, que também pediu recuperação judicial em novembro do ano passado.

A empresa é suspeita de ser uma pirâmide utilizando como golpe as operações com bitcoins. A BWA tinha cerca de dois mil clientes, com saldos entre R$ 500 e R$ 5 milhões, e prometia rendimentos mensais fixos em operações com criptomoedas. Entretanto, desde o final de 2019 a empresa deixou de pagar os investidores. O negócio pertence ao empresário Paulo Bilibio, famoso por ter sido sequestrado por policiais.

Mercado reticente

Pirâmide financeiraO especialista em recuperação judicial de empresas e empresário Creso Suerdieck, revela que o mercado de criptomoedas é reticente. “Quando essas empresas captam dinheiro, não há um órgão fiscalizador para acompanhar o lastro financeiro dos negócios. A partir do momento em que essas empresas captam valores financeiros e lançam essas moedas, é basicamente uma relação de confiança. Em um momento, essa bola estoura”, explica.

Segundo Creso, com a recuperação judicial, a empresa não devolverá a monetização dos investidores. “Neste caso, a classe trabalhadora é quase nula, quase não há funcionários, muito menos fornecedores. Os bancos não creditam empresas que se utilizam de criptomoedas. Quando o responsável entra com a recuperação judicial, é uma forma de se desvencilhar da justiça criminal, sem devolver o dinheiro de quem investiu”, conta.

Fraude com criptomoedas

A BWA é a segunda empresa suspeita de fraude com criptomoedas que consegue evitar um processo de falência. A primeira foi o Grupo Bitcoin Bitcoin, de Curitiba (PR), que conseguiu obter a recuperação judicial após somar uma dívida bilionária com 6,5 mil investidores.

A administradora judicial da BWA Brasil será a Laspro Consultores. A mesma empresa que cuida do processo de falência da Telexfree, outra famosa pirâmide financeira.

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