Venda de veículos novos cai 29,8% no Brasil

Venda de veículos novos cai 29,8% no Brasil

Venda de veículos novos cai 29,8% no Brasil

171 mil carros licenciados

Especialista aponta que queda pode estar associada ao aumento nas taxas de juros pelo 2º mês seguido

Foto: Divulgação

Creso Suerdieck

Com a economia ainda em fase de recuperação, a pandemia continua afetando o resultado nas vendas de veículos do mercado interno. Um levantamento feito pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, indica que foram licenciados no país 171,1 mil carros comerciais leves, caminhões e ônibus. Isso representa uma queda de 11,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados de dezembro de 2020, divulgados agora, revelam ainda que, na comparação com dezembro de 2019, a queda foi bem maior, chegando a 29,8%.

De acordo com o levantamento, a queda pode estar associada à elevada carga tributária no setor de transformação do país. Enquanto no Brasil, 44% do preço dos carros são impostos, em média, na Espanha a carga de tributos nos veículos é de 21%, na Alemanha, 19% e nos Estados Unidos, 7%, em média. Estes números, segundo Thacísio A. Rio, CEO da Rios Assessoria, empresa especialista na análise de contratos, acendem o sinal de alerta para o crescimento também das taxas extorsivas, que, ainda de acordo com ele, estão presentes em mais de 80% dos financiamentos, com juros acima da média. Este fato pode levar à inadimplência das parcelas, posterior busca e apreensão e até um bloqueio judicial do bem alienado. Neste caso, o veículo.

“Velha conhecida dos brasileiros, as taxas de juros estão presentes em qualquer transação que envolva crédito, seja para financiamento de veículos, empréstimos bancários ou caso não quite no prazo uma fatura do seu cartão. Na prática, elas representam o lucro que as operadoras de crédito terão, por isso fazem parte do contrato e são esperadas. Contudo, em alguns casos, estes valores podem estar acima do que deveriam, sendo consideradas taxas abusivas, já que estão acima do previsto pelo Banco Central”, explica.

A preocupação de Thacísio vai de encontro a um outro levantamento feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), que constatou que as taxas de juros das operações de crédito para pessoas físicas voltaram a subir em janeiro. Esta, de acordo com a pesquisa, é a segunda alta seguida, após oito meses de queda até novembro de 2020, registrando o aumento nas taxas de juros em todas as seis linhas de crédito para pessoas físicas pesquisadas: cartão de crédito, cheque especial, juros do comércio, empréstimo pessoal em bancos e financeiras e financiamento de veículos. Neste último, por exemplo, houve uma elevação de 1,52%, passando de 1,32% ao mês (17,04% ao ano) em dezembro para 1,34% ao mês (17,32% ao ano) em janeiro. É a maior taxa desde agosto de 2020 (1,36% ao mês – 17,60 ao ano).

Como Identificar os juros abusivos e o que fazer?

Segundo o especialista, é preciso estar atento a todas as cláusulas e fazer uma ampla pesquisa antes de assinar o contrato de financiamento, para não pagar preços e juros extorsivos. O que, ainda de acordo com Thacísio, pode levar à inadimplência das parcelas e, posteriormente, a busca e apreensão do bem financiado, que neste caso é o carro da família. “A taxa de juros, neste tipos de financiamento, costuma ser camuflada pelas instituições financeiras. Algumas, por exemplo, costumam chamar a atenção para os pontos fortes de seu financiamento e acabam ludibriando as pessoas que não conseguem calcular juros abusivos para contratarem seus serviços. Esta é considerada uma prática de má-fé”, alerta o profissional.

E continua: “Para reverter esse cenário, o consumidor precisa estar sempre muito atento e não deixar de procurar seus direitos. Realizar análise detalhada com uma empresa séria e renomada no mercado e agir antes que aconteça o pior são caminhos para evitar a perda do veículo para o banco”, indica Thacísio, que também afirma que um dos principais fatores para esse tipo de atitude, por parte das financeiras, é a falta de conhecimento dos consumidores. “A maioria tem pouco conhecimento aprofundado dos juros abusivos e cai em muito ‘disse me disse’. Muitos creem que se colocar a instituição financeira na justiça nunca mais vai conseguir comprar, por exemplo. A população tem conhecimento, porém não tem informações confiáveis sobre o assunto”, conclui.

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